A qualidade do café brasileiro é definida ainda na lavoura, mas é durante a colheita e, principalmente, no pós-colheita que se consolida o valor final do produto. Processos mal executados podem comprometer todo o potencial da produção, mesmo em áreas com bom desempenho agronômico.
Segundo o CEO da Experimental Agrícola do Brasil e da illycaffè no Brasil, Aldir Alves Teixeira, falhas operacionais simples ainda estão entre os principais problemas da cafeicultura.
Colheita seletiva é decisiva para evitar perdas de qualidade
De acordo com o especialista, o primeiro passo para garantir qualidade é a colheita seletiva, que deve ser iniciada com no máximo 5% de frutos verdes ou verdoengos.
A mistura de diferentes estágios de maturação compromete o padrão do lote e reduz o valor comercial do café. Por isso, colher no ponto ideal é fundamental para manter a qualidade da bebida e a rentabilidade do produtor.
Tempo entre colheita e processamento influencia diretamente o resultado
Outro fator crítico é o intervalo entre a colheita e o beneficiamento. O acúmulo de café recém-colhido ainda no campo pode provocar fermentações indesejadas e perda de qualidade.
Segundo Aldir Alves Teixeira, deixar o café amontoado por algumas horas já é suficiente para iniciar processos de deterioração, impactando diretamente o resultado final.
Pós-colheita exige agilidade e controle técnico
Após a colheita, o café deve ser encaminhado rapidamente para o processamento. A lavagem e o descascamento devem ocorrer no mesmo dia, sem a remoção da mucilagem, preservando características importantes como corpo e doçura.
O início imediato da secagem também é essencial para manter as qualidades sensoriais do grão.
Secagem correta garante estabilidade e qualidade do grão
O especialista destaca que o pós-colheita exige disciplina operacional, com atenção a detalhes como espessura das camadas no terreiro, revolvimento constante e controle de umidade.
A secagem deve ocorrer até aproximadamente 11% de umidade, garantindo estabilidade e evitando defeitos. Entre as recomendações estão o enleiramento no período da tarde, a secagem em camadas baixas no sentido da declividade do terreiro e o uso de coberturas adequadas apenas após a meia seca. O armazenamento deve ocorrer em ambiente seco, escuro e protegido de variações de temperatura.
Boas práticas aumentam eficiência mesmo sem alta tecnologia
Mesmo em propriedades com diferentes níveis tecnológicos, práticas simples podem reduzir perdas e melhorar a eficiência da produção.
Segundo Aldir, fatores como organização, tempo de execução e atenção aos detalhes são suficientes para gerar ganhos expressivos na qualidade do café.
Mercado de cafés especiais exige mais rigor na produção
Para segmentos mais exigentes, como o de cafés especiais, esses cuidados se tornam ainda mais importantes. Além da qualidade sensorial e física, critérios como rastreabilidade e sustentabilidade têm ganhado relevância na comercialização.
Dez boas práticas para garantir qualidade do café
A illycaffè reúne um conjunto de recomendações técnicas para orientar os produtores de café:
- Iniciar a colheita com menos de 5% de frutos verdes;
- Evitar o acúmulo de café recém-colhido;
- Realizar lavagem e descascamento no mesmo dia;
- Encaminhar o café ao terreiro sem excesso de água;
- Iniciar a secagem imediatamente em camadas finas;
- Revolver o café durante o dia e enleirar à tarde no sentido da declividade;
- Utilizar cargas homogêneas no secador;
- Respeitar o ponto de descanso até atingir 11% de umidade;
- Armazenar em local seco, ventilado e protegido da luz;
- Adotar práticas sustentáveis nos aspectos econômico, social e ambiental.
Qualidade no manejo valoriza o produtor
Para o especialista, a aplicação rigorosa dessas práticas melhora diretamente a qualidade da bebida e amplia o acesso a mercados mais valorizados.
“O principal desafio na fase de colheita e pós-colheita é seguir corretamente as recomendações técnicas. Isso preserva a qualidade do produto final, valoriza o trabalho do produtor e fortalece toda a cadeia do café”, conclui Aldir Alves Teixeira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio






















