A trajetória partidária do ex-prefeito de Pontal do Araguaia e candidato a deputado estadual Adelcino Lopo (Podemos) ganhou um novo capítulo no debate político do Vale do Araguaia. Documentação apresentada à imprensa aponta que Adelcino permaneceu filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) por aproximadamente 25 anos e 10 meses — um dado histórico que ressurgiu com força justamente durante a campanha de 2026, em meio ao apelido de “Melancia do Araguaia” atribuído a ele por adversários.
Segundo o registro apresentado, Adelcino Francisco Lopo teria ingressado no PT em 19 de julho de 1991, com encerramento da filiação registrado em 10 de maio de 2017. O documento vincula o cadastro eleitoral a Barra do Garças.
🗓️ Linha do tempo partidária de Adelcino Lopo
Filiado ao PT — Partido dos Trabalhadores. Cadastro vinculado a Barra do Garças
Disputa a Prefeitura de Pontal do Araguaia pelo MDB — foi eleito prefeito
Candidato a deputado estadual pelo Podemos — passa por diferentes articulações durante a campanha
A filiação histórica ao PT, por si só, não permite concluir quais são as posições ideológicas atuais de Adelcino, mas ajuda a reconstruir sua trajetória partidária ao longo de quase três décadas na política mato-grossense.
O apelido “Melancia do Araguaia” e as mudanças de aliança
A expressão já circulava em grupos de mensagens e redes sociais depois das sucessivas mudanças de alianças atribuídas ao candidato durante a campanha. Adelcino iniciou sua caminhada eleitoral próximo ao grupo de Wellington Fagundes, mas posteriormente se aproximou de outras forças políticas, incluindo Carlos Fávaro e Otaviano Pivetta. Foi nesse contexto que adversários passaram a utilizar expressões como “traíra” e “melancia” para criticá-lo.
📌 O que significa “Melancia”?
Na linguagem política brasileira, o apelido “melancia” é atribuído a políticos que, segundo críticos, seriam vermelhos por dentro (PT/esquerda) e verdes por fora (aliados do agronegócio ou de grupos de direita). No caso de Adelcino, o apelido ganhou força em 2026 diante da longa filiação histórica ao PT combinada com a aproximação a grupos políticos do campo oposto. Trata-se de uma provocação de adversários, não de uma classificação objetiva.
Posteriormente, Adelcino passou a integrar atos ao lado de Pivetta e a manifestar apoio também a Mauro Mendes. Em 28 de agosto, Pivetta e Mauro tiveram presença anunciada na inauguração do comitê eleitoral do candidato em Barra do Garças. A aproximação foi relacionada, por aliados ouvidos pela imprensa local, às obras, emendas e recursos destinados a Pontal do Araguaia durante a administração estadual.
Relação com o governo estadual durante a gestão em Pontal
A relação administrativa de Adelcino com o governo Mauro Mendes não é recente. Quando prefeito, ele buscou diretamente apoio do governo estadual para projetos em Pontal do Araguaia, e há registros públicos de convênios e investimentos realizados no município durante sua gestão.
Em 2022, por exemplo, Adelcino participou — como presidente do Consórcio Intermunicipal Portal do Araguaia — da assinatura de um convênio estadual de R$ 15 milhões destinado a nove municípios da região. Outro registro da época mostra o então prefeito procurando apoio de Mauro Mendes e Max Russi para viabilizar um projeto de portal na entrada de Pontal do Araguaia.
Já em junho deste ano, o atual prefeito Luciano Costa afirmou, durante a assinatura de duas ordens de serviço que ultrapassavam R$ 6 milhões, que os recursos haviam sido conquistados ainda na gestão de Adelcino, por meio de convênios firmados com o governo estadual.
Do PT ao Podemos: uma trajetória de três partidos
O histórico apresentado coloca em perspectiva uma trajetória política que atravessou diferentes legendas e alianças ao longo de mais de três décadas. O registro aponta quase 26 anos de vínculo com o PT; anos depois, Adelcino foi eleito prefeito pelo MDB e, atualmente, disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo Podemos.
Na campanha de 2026, seus movimentos entre diferentes palanques passaram a ser explorados politicamente por adversários. O que os registros permitem afirmar é que Adelcino possui uma longa passagem partidária pelo PT e, ao longo dos anos seguintes, estabeleceu relações políticas e administrativas com grupos distintos do cenário mato-grossense — da esquerda petista às alianças com o campo político do agronegócio e da centro-direita.
A história de quase 26 anos no Partido dos Trabalhadores acrescenta, assim, uma peça até então pouco conhecida ao quebra-cabeça de sua trajetória política — justamente em uma eleição na qual suas mudanças de alianças se tornaram tema recorrente entre apoiadores e adversários no Vale do Araguaia.
📌 Nota da redação: A Gazeta Mato Grosso mantém espaço aberto para que Adelcino Lopo apresente sua versão sobre os fatos relatados nesta reportagem. Caso haja manifestação, ela será incorporada ao texto. Fonte: Folha de Mato Grosso.
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